Teoria Literária

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Partilhar o saber: formar o leitor – Veléria Pereira e Nilton Ponciano

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APRESENTAÇÃO

 

Notas em torno de um tema permanente.

 

As pesquisas dos últimos vinte anos aceleraram a discussão em torno da formação de leitores, que deixou a órbita da mera alfabetização – em crise efetiva e generalizada que compromete toda a escolarização dos jovens – para se constituir uma área de estudos relevante, complexa no sentido proposto por Morin, além de efetivamente interdisciplinar. Seus efeitos se prolongam muito além da vida escolar e repercutem com impacto sobre a sociedade em perspectiva renovada de cidadania na qualificação da vida pessoal, no horizonte da criatividade, no campo do trabalho.

Sem leitura como uma experiência constitutiva da (inter) subjetividade, diante da avassaladora quantidade de informação nivelada acriticamente, fragmentária, desvinculada muitas vezes do contexto em que precisa funcionar, o indivíduo se torna presa fácil das contradições que o aprisionam tanto nas afetividades epidérmicas quanto na ausência de reflexão para o discernimento.

A leitura tem-se revelado condição inalienável para o domínio da palavra oral e escrita no mundo contemporâneo, propiciadora de oportunidades para o autoconhecimento, para um acercamento mais efetivo das realidades que envolvem a vida e as relações sociais, para a análise e a expressão crítica de pontos de vista diferenciados, em linguagens múltiplas, artísticas ou não. A leitura consolida um hábito reflexivo que fortalece um proceder atento às sutilezas dos discursos. A leitura azeita o pensamento, concebida deste lugar, em que os sentidos e a interpretação não são meras concessões, mas construções permanentemente ligadas à vida e ao repertório dos sujeitos, tornando-os partícipes da história, ainda que pequena, construída pelos homens.

A obra de Valéria Pereira e Nilton Ponciano é, de fato, uma longa conversa sobre as interfaces da leitura sob o foco da cultura: há que falar da narrativa, da escrita, da história, da oralidade, das linguagens que constituem redes sistêmicas em que se movem os sujeitos; o contexto histórico, social e político das práticas e a decorrente reflexão teórica que embasa e que se delineia a partir do acompanhamento crítico das ações. A prática leva a uma teorização se descobre na base do agir, permitindo a correção de pressupostos e a avaliação das atividades.

O trabalho aqui apresentado tem a seriedade de começar pela apresentação ao leitor da obra, a realidade, tomada de forma analítica, no recorte de uma cidade e sua história em Fátima do Sul (MS). O processo se inicia pela partilha do enfoque, dos conceitos, do poder criador que a palavra humana dispõe desde que, Gênesis, tomou-se a palavra como criadora de mundos. Com rigor, sem pedantismo acadêmico, com uma linguagem acessível a pesquisadores iniciantes, as narrativas primeiras apresentam os fundamentos deste périplo teórico-metodológico, garantindo um enquadramento do olhar de quem busca, nas narrativas terceiras, um caminho para pensar a formação de leitores e os seus obstáculos neste contexto.

A pesquisa assim localizada não perde o valor mais universal que possa ter para leitores mais distantes deste contexto geográfico, contudo próximo na vertente antropológica, cultural e social.

A leitura do relatório-pesquisa se faz como a de um ensaio estabelecido sobre a vivência efetiva das situações que vão sendo apresentadas ao longo dos capítulos; estes, tematicamente, aproximam-se dos problemas que afligem o campo das leituras verbal e não-verbal, num universo multicultural, em que convivem, em oferta, níveis diversos de apropriação da cultura.

O trabalho não se fecha, mas amarra algumas questões, fios de uma rede que se vai tecendo à medida que a reflexão avança criticamente. As práticas avaliadas, retomadas, revistas, dão ao leitor deste livro a segurança de caminhar acompanhado em suas dúvidas, obstáculos, possibilidades. O exercício proposto dos círculos de leitura para a formação de leitores universitários, muitas vezes desprovidos de sua própria herança cultural, entrelaçada às modernas mídias, oferece uma contribuição substantiva e uma metodologia revisada, além de amparada teoricamente, à condução de “resgate” da experiência leitora de jovens analfabetos funcionais.

A narrativa de fundo, uma narrativa segunda, do pensamento dos autores-pesquisadores, também se oferece como modus operandi do exercício de fazer e pensar.

Eliana Yunes

 

LINK PARA DOWNLOAD ==> Partilhar o saber: formar o leitor

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